Impostos de Pobres e Ricos


Quem nunca ouviu aquela história de que quem paga mais impostos no Brasil são os pobres e não os ricos. Por mais que isso sempre seja dito frequentemente, não temos a certeza exata se isso é verdade ou não. Por isso quero responder a esta pergunta. Então pobres pagam ou não pagam mais impostos do que os ricos?  Como todo bom economista eu respondo: depende

Quem você acha que paga mais impostos o Silvo Santos, recentemente integrado a lista dos ricaços da Forbes, ou o Zé Ruela que vende cachorro quente na esquina? É obvio que o Silvio Santos! Imagino eu que valor de imposto de renda que o apresentador paga, partindo do ponto que ele paga, e mesmo que sonegue, é maior do que o nosso amigo que tem a banca informal de cachorro quente, ou que seja formal mesmo. Então, sendo assim, os ricos pagam mais, neste caso de impostos diretos sim, mas lembre que eu falei que a resposta para a pergunta é depende.

Agora imagine que esse mesmo sujeito que vende cachorro quente consegue ganhar R$ 1000,00 por mês, enquanto que o Silvio Santos tem um pró labore de R$ 10.000,00 e que ambos querem comprar uma cesta básica que custa, hipoteticamente, R$ 500,00, sendo que 50% do preço da cesta são impostos indiretos sobre o consumo. Veja que ambos pagam  os R$  250,00 de impostos contidos na cesta, entretanto esse valor representa 25% do salário do Zé Ruela e 2,5% do salário do apresentador, ou seja 25% do salário do pobre vai para impostos, enquanto uma pequena parte de quem tem mais condições vai para o fisco. Repare que os dois estão comprando a mesma mercadoria, só que o impacto não é o mesmo para os dois agente, sendo extremamente injusto para quem ganha menos.

Alguém poderia até argumentar que para as faixas de baixas renda não há a incidência  de imposto de renda, enquanto que a agente que recebe mais recursos paga imposto direto e o indireto. Isso é verdade, paga duas vezes, o que é injusto, mas não faz com que o outro caso deixe de ser injusto também.

Imagine agora outro caso de cobrança injusta de impostos.  Um gerente de banco, no ultimo nível de carreira, que ganhe com sorte R$ 20.000,00 e o Neymar que ganha R$ 2.000.000,00. Veja que ambos estão na mesma faixa do impostos de renda e por ganharem mais do que R$ 3.743,19 (ver tabela) ambos pagam 27,5% ao fisco. Veja que o bancário recebe um salário que equivale a 1% do salário do Neymar e ambos pagam o mesmo. Agora se o produto for um carro, por exemplo, veja que o gerente pagará quase o valor do seu salário em impostos, enquanto que o Neymar só pagará uma pequena parte do seu salário. Não estou dizendo que uns ganham mais e outros menos e isso é injusto (isso é assunto para outra hora), cada um receberá de acordo com a utilidade do seu trabalho. O que é absurdo, primeiramente, são os impostos indiretos e em segundo lugar a formatação das faixas do imposto de renda.

Como podem ter ver uma rápida análise, superficial inclusive, já aponta problemas em um tema que impacta tanto na nossa sociedade. Em breve pretendo trazer uma análise mais técnica e quantitativa sobre o tema. Até lá.

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Sobre José Freitas

Sou Economista formado pela Universidade Católica de Pernambuco tendo iniciado meus estudos em economia em 2006 na Universidade Católica de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Depois de dois anos e meio de estudos no interior gaúcho migrei para Porto Alegre onde continuei meus estudos na PUC-RS. Em Porto Alegre me iniciei no mercado financeiro atuando na Seival Investimentos, gestora de fundos de investimentos sediada na capital gaúcha. Em 2010, já em Pernambuco, trabalhando na Magnum Investimentos, escritório de agentes autônomos ligado a XP Investimentos, obtive a certificação de agente autônomo de investimentos e em seguida a certificação CPA-2o da ANBIMA. Após a experiência de agente autônomo passeia integrar o quadro da Credipe, cooperativa de crédito dos funcionários do estado de Pernambuco, como gerente de negócios. Desde 2011 atuo como consultor autônomo sem vinculo com nenhuma instituição financeira. Economia é para Economista é um blog destinado não só aos economistas, mas sim a todas aquelas pessoas que, por qualquer motivo, possam se interessar por assuntos relacionados a economia, política, negócios e finanças.
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